Estreia picotada compromete “Orgulho e Paixão”

 

Nesta terça-feira (20/03), a TV Globo estreou “Orgulho e Paixão”, novela de Marcos Bernstein com direção artística de Fred Mayrink. O telespectador de “Tempo de Amar” estranhou, logo de cara, o ritmo mais frenético da nova aposta da emissora platinada.

O andamento é acelerado. Praticamente, não ocorreu apresentação das personagens. A história principal, protagonizada por Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda), dividiu espaço com um sem número de histórias paralelas lideradas pelas outras quatro irmãs, pais de Elisabeta, núcleo de Ema Cavalcante, as vilãs Julieta e Susana, entre outros personagens que lutam para garantir seu espaço na trama.

O inchaço prejudica o melhor desenvolvimento de todas as histórias. Tudo é picotado para ceder algumas cenas para as dezenas de atores e atrizes. Um lutará contra o outro para garantir seu nicho durante o desenrolar da história.

O elenco masculino é recheado de galãs “estrelares”. Thiago Lacerda lidera a trupe formada por Mauricio Destri, Murilo Rosa, Malvino Salvador, Marcos Pitombo, entre outros que sequer entraram nestes capítulos iniciais.

Por outro lado, o elenco feminino, liderado por Nathalia Dill, conta com atrizes que ainda buscam se firmar na teledramaturgia, como Bruna Griphão, Anaju Dorigon, Pâmela Tomé e até Chandelly Braz. Agatha Moreira, que vive Ema, melhor amiga de Elisabeta, foi a atriz que mais se destacou positivamente na nova produção. Não traz vestígios de outros recentes trabalhos.

Vera Holtz, que vive Ofelia, parece que aproveita a oportunidade para soltar o seu sotaque interiorano paulista reprimido em recentes trabalhos. Aparece fora do tom e não “orrrrrna” com o restante do elenco.

Gabriela Duarte vive um desafio em sua carreira. Interpreta uma “vilã seca” que foge de sua trajetória artística. A atriz é sempre bem-vinda na tela da TV Globo. O telespectador sente saudade da campineira.

O filtro da imagem foge da escuridão que caracteriza as novelas atuais da Globo. Agradáveis tons pastéis marcam a produção. Ponto positivo.

“Orgulho e Paixão” aposta em um enredo clássico, já visto dezenas de vezes pelo telespectador. Nestes primeiros capítulos, não ocorreu uma melhor ligação entre os personagens. Cada irmã (e são cinco somente aí) é um novelo. Porém, ficou embolado neste início. A história ficou confusa e solta entre os diferentes núcleos. Ajustes serão necessários para o melhor desenvolvimento do folhetim.

Fabio Maksymczuk